EBOOK 96
ENVELHECIMENTO
SAUDÁVEL E NÂO SAUDÀVEL
Leitura
em 20 min.
P S I C O L O G I A
M O D E R N A
Blog emoçaoeatencao@blogspot.com
Prof. Dr. Jair de Oliveira Santos
2026 - Bahia- Brasil
QUEM É O AUTOR
Jair de Oliveira Santos é Médico, Professor
aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Graduado
em Pedagogia, Especialista em Administração Escolar, Fundador e ex-Diretor da
Faculdade Castro Alves, onde foi coordenador do Núcleo de Estudos das Emoções e
do Programa de Educação das Emoções. Criou o blog emoçaoeatencao@blogspot.com onde publicou 90 Posts, durante 6
anos, que foram divulgado pela Google em 87 países e teve , segundo o site
Ranking Data, cerca de 1 milhão e 188 mil acessos anuais. Fez o lançamento e a
continuidade do Podcast das Emoções, no citado blog, em 2021.
Pioneiro da Educações das Emoções na Bahia,
implantou-a na Faculdade Castro Alves e em vários colégios, com excelentes
resultados. Publicou os livros: 1- Educação
Emocional- fundamentos e resultados;2- Manuais de Educação Emocional; 3-
Educação Emocional na Sala de Aula, e 4-. Educação Emocional: Aspectos
Históricos, Fundamentos e Resultados.
Dedicou-se à Educação Médica, foi Coordenador do
Colegiado de Curso de Medicina da UFBA e o presidente da Comissão de Currículo.
Publicou livros e artigos na Revista da Associação Brasileira de Educação
Médica, dentre eles “Educação Médica e
Humanismo”, e” Educação Médica- Filosofia, Valores e Ensino”.
Dedico este e-book:
In memoria: A minha inesquecível esposa falecida, Olívia, e a meu Pai e minha Mãe.
A meus filhos: Jair Filho, César, Telma, Vinicius e Paulo
A meus netos: Jéssica, Jair Neto, Ana Júlia, Pedro
Gabriel, Maria Eduarda, Larissa e Arthur.
● ● ●
A todos que propiciaram condições e estimularam estudos, pesquisas
e reflexões sobre a Educação das Emoções.
● ● ●
“Quem conhece aos outros é inteligente, Quem conhece a si
mesmo é sábio “Lao Tsé – Tao te King,
XXXIII
● ● ●
“Trata a humanidade, na tua própria pessoa ou de qualquer outra, como um
fim em si, nunca apenas como um meio”. Kant I., “Fundamentação da Metafísica dos Costumes”, 1786.
● ● ●
“Não há outro universo, senão o universo humano, o universo da
subjetividade humana. É procurando sempre fora de si um fim que o homem se
realizará como ser humano.”
Sartre,J.P., “O Existencialismo
é um humanismo”, 1944
● ● ●
“Para criar uma boa vida, não basta lutar por metas que nos trazem
prazer, mas também escolher metas que reduzirão a soma total de entropia no
mundo”.
Mihaly Csikszentmihalyi, A Descoberta do Fluxo,
1999.
COMUNICADO
A partir de
26-11-22, o blog emoçaoeatencao@blogspot.com teve nova orientação, para
atender á sua vasta clientela de milhões de leitores, conforme avaliação
publicada pelo site Ranking
Data, abaixo transcrita. Dentro de sua filosofia de trabalho,
publicará também e-books gratuitos, que conterão o conteúdo dos posts já
publicados, além de novos conteúdos, de modo a constituírem um conjunto
integrado de conhecimentos.
Ranking database emoção
atenção@blogspot.com, pesquisa.
Imagens de ranking data base emocaoeatencao@blogspot.com
CONTEÚDOS
DESTE E-BOOK
Capítulo
1. Envelhecimento Saudável
Capítulo
2. Envelhecimento Não Saudável
Capítulo
3. Conclusão
CAPÍTULO I
ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL
O envelhecimento
saudável , segundo a Organização
Mundial da Saúde, é um processo contínuo de otimização da habilidade funcional
e de oportunidades para manter e melhorar a saúde física e mental, promovendo
independência e qualidade de vida.
Fases do envelhecimento: as fases do envelhecimento mais citadas em contextos
de saúde são as seguintes -
1.
Pré-senescência –
De 45 a 60 anos,
que é o início das mudanças;
2.Senescência Inicial – De 61 a 70 anos, que é o início das
mudanças;
3
Senescência Tardia -76 a 90 anos, em
que a autonomia da pessoa é mais reduzida, e ela pode necessitar necessitar de
suporte familiar.
4
2.
Há dois tipos de envelhecimento:
1. O Envelhecimento Normal ou Senescência,
em que a natureza promove um processo de otimização das funções orgânicas para manter
e melhorar a saúde física
e mental. A pessoa envelhece bem, em boas condições, sem doenças. Contempla o processo natural de
envelhecimento biológico que ocorre na
vida adulta tardia, e é caracterizado por mudanças graduais, como perda de
elasticidade da pele, diminuição da visão e da audição, e redução da capacidade funcional, sem ser
doença.
É a Senescência, o envelhecimento
fisiológico , em que surgem alterações
graduais do organismo com o tempo, sem ser
doença, e que é comum a todos os seres vivos da mesma espécie,
embora variando de intensidade.
2. Envelhecimento Senil ou Patológico ou Senilidade. É a senescência
tardia , determinada por fatores genéticos e pelo estilo de
vida. Nela surgem as doenças da idade, a Senescência Senil . Aparecem a hipertensão,
diabetes, doenças cardíacas, osteoartrite, perda de memória severa, confusão
mental e dificuldades significativas nas atividades diárias (AVDS).
CAPÍTULO II
ENVELHECIMENTO PATOLÓGICO OU SENILIDADE
Características da Senescência Tardia (Idade Adulta Tardia):
Refere-se à fase
final do processo natural de
envelhecimento (senescência), e ocorre geralmente aos 78 anos. Nela são
acentuadas as alterações fisiológicas normais do organismo.
a- Alterações
físicas e orgânicas:
1. Perda de massa muscular e óssea;
2.
Comprometimento sensorial : perda
auditiva (presbiacusia) ; perda visual (presbiopia); perda da discriminação de
sabores e o do
da pele,
que perde elasticidade, fica mais frágil e propensa a lesões;
3. a
velocidade da marcha diminui e é difícil realizar atividades como tomar banho e
vestir roupas;
4. Há
redução da mobilidade e flexibilidade; Há degeneração acentuada
do sistema circulatório e digestório;
5. O
organismo é mais vulnerável a agressões externas e internas.
b - Alterações Cognitivas e Psicológicas:
Da
memória - alterações de
eventos recentes da memória;
Alterações
da Afetividade e Aumento da Emocionalidade.
Maior
Egocentrismo. A presença de doenças crônicas ou incapacitantes nesta
fase indicam senilidade, como o Alzheimer.
Impacto
da Doença no Envelhecimento Patológico
Devido ao
impacto das doenças no Envelhecimento
Patológico, há declínio da qualidade de vida, com envelhecimento patológico.
Conceito de Qualidade de Vida
É relacionado à autoestima e bem estar pessoal. A qualidade
de vida abrange :
1. Capacidade funcional do indivíduo;
2. Seu nível socioeconômico;
3. Sua atividade intelectual ;
4. Autocuidado;
5. Seu
suporte familiar;
6. Estado
emocional;
7. Interação social;
8. Estado de
saúde;
9. Valores culturais e éticos;
9 Religiosidade;
10. Estilo de vida;
11. Satisfação com a atividade laboral, e
12, Com o
ambiente em que vive .
É um conceito subjetivo e depende do nível sociocultural da pessoa,
da sua idade e das aspirações pessoais. A experiência da qualidade de vida
envolve valores pessoais, experiências anteriores, capacidade de adaptação às
mudanças, depende de onde a pessoa vive e de seus recursos sociais.
Se piora muito da qualidade de vida, transforma o processo natural de envelhecer
em uma jornada de fragilidade e dependência, que contrasta com o envelhecimento
saudável, marcado pela resiliência e bem-estar, mesmo com as mudanças da idade.
As Doenças no envelhecimento patológico agravam as perdas
funcionais, diminuem a capacidade de adaptação e levam a um declínio acelerado
da saúde, manifestado por condições crônicas como diabetes, Alzheimer,
hipertensão, depressão e osteoartrite, que afetam a cognição, mobilidade, bem-estar
geral, reduz a qualidade da vida e aumenta a dependência da pessoa.
Essas enfermidades
sobrecarregam o sistema de saúde e exigem abordagens de tratamento mais
complexos, impactando a autonomia e a longevidade do idoso, diferenciando o envelhecimento
"normal", e a senescência, do "patológico", da senilidade.
Impactos
das Doenças no Envelhecimento
1. Fatores Agravantes
·
No
Estilo de Vida: Tabagismo, sedentarismo, má nutrição e uso de álcool
aceleram os processos patológicos.
·
Fatores
Sociais: Isolamento,
falta de apoio social, baixa renda e escolaridade pioram a percepção da saúde.
·
Resistência
ao Cuidado Pessoal: Dificuldades em buscar e seguir tratamentos, agravam
quadros clínicos.
2. Diferença entre Envelhecimento Natural e Patológico
·
Senescência , que é natural: com mudanças
fisiológicas esperadas, como rigidez arterial ou perda muscular, que são
compensadas pelo corpo.
·
Senilidade que é patológica: a presença de
doenças (cardíacas, demências, depressão,etc.) deterioram a saúde, e reduzem os
mecanismos de adaptação e a funcionalidade.
Em resumo,
as doenças são um fator central no envelhecimento patológico, e transformam o
processo natural de envelhecimento em uma jornada de fragilidade e dependência.
Contrasta com o envelhecimento saudável, marcado pela resiliência e bem-estar,
mesmo com as mudanças da idade.
Bons Hábitos da
Longevidade, após 90 anos:
1.
Ter alimentação saudável e
equilibrada. O ser humano é o resultado
do que ele come, do que ele bebe e de como ele vive, do estresse que ele suporta
2.
Ter atividade física regular. Manter atividade física .
3.
Ter boa qualidade de sono,7 a 9
horas por dia.
4
Ter bom manejo de estresse e
saúde mental.
5
Ter Boas relações sociais .
6 Ser acompanhado por médicos, prevenir doenças e manter os exames solicitados em
dias.
7
Evitar vícios: fumar, beber álcool, usar cocaina e
semelhantes, etc.
8. Dedicar seu Tempo para Prazer e Lazer pessoal : assistir regularmente filmes , jogos de
futebol, voley, basquete e outros que goste, sem violência, acompanhado ou não
de outras pessoas. Praticar jogos que goste.
9. Praticar o Bem-estar: fazer sempre coisas que goste.
a– Saúde física : nutrição – dieta balanceada e hidratação
adequada, pelo menos 2 litros de
água por dia, atividades físicas regulares, bom sono;
b- Saúde mental e emocional- gerenciamento do estresse, controle das
emoções negativas, ter autoconhecimento, fazer relaxamentos constantemente.
c - Rotina diária de Autocuidados.
d – Ser otimista em relação à vida e adotar sempre nela atitude
positiva.
10. Adotar estilo de vida equilibrado.
11. Sempre que possível, ser independente.
12. Ter Autocontrole constante.
CAPÍTULO III
PILARES DO ENVELHECIMENTO
Os Pilares do
Envelhecimento Saudável não representam uma luta contra o tempo, mas um investimento
nos pilares que sustentam o bem-estar. È
um mapa
que permite compreender o que acontece com a saúde à medida que se enfraquecem,
e permitem que se tome medidas para reforçá-los. Envolvem o bem estar
biopsicossocial, segurança, participação cultural/espiritual, aprendizagem
contínua, abrangendo saúde física e mental, relacionamentos, saúde financeira, educação
para manter autonomia e qualidade de vida.
Ações consistentes podem ser tomadas em todos os pilares da qualidade de Vida ou do
Envelhecimento, com efeitos cumulativos, levando a uma vida mais longa e mais profunda da pessoa, mais
conectada, com maior vitalidade e qualidade. Aplicar esta atitude e executar exercícios, representam
o Envelhecimento Ativo , com mais bem-estar
e qualidade devida.
O conceito do pilar do envelhecimento foi desenvolvido por
gerontologistas e especialistas em saúde para descrever os domínios relacionados
que determinam a saúde geral, no período da vida passado com boa saúde. Em vez de se concentrar em poucos fatores, como a alimentação ou o
exercício físico, este modelo abraça mais. E se um pilar se enfraquece, a
estrutura não sofre, e pode ser corrigida. Por exemplo, se falhar o pilar da
saúde social e a pessoa tiver solidão e depressão, e for minada sua motivação
para fazer exercícios físicos, vai se enfraquecer o pilar físico. Esta visão, permite reconhecer que o
envelhecimento saudável resulta de um esforço múltiplo, que depende de vários
pilares.
Pesquisas
realizadas com pessoas de alta longevidade em diferentes locais mostraram que
nunca é a ação de um só elemento que leva a uma vida longa saudável, mas que
ela resulta da ação de vários deles,tais como : 1-laços fortes entre eles; 2- do
pilar social; 3- movimentos constantes dos pilares; 4- do pilar físico;
5- de um sentido de propósito; 6- do
pilar ligado a um propósito de vida; 7- de uma dieta baseada em vegetais, 8- de
recursos financeiros suficientes.
Ao adotar uma estratégia baseada em pilares, você constroi um sistema
resiliente que resiste mais e melhor ao
tempo.
1 .
A Base física (Resiliência corpo) é um pilar do envelhecimento : que abrange a saúde do corpo, sobre a qual ele é
construído. Com o envelhecimento há uma certa perda muscular, o metabolismo fica
mais lento e há desgaste celular. À medida que envelhecemos, o corpo passa por
mudanças específicas e a partir dos 30 anos, a pessoa perde massa muscular naturalmente, com a “sarcopenia”, que desacelera o metabolismo e aumenta a fragilidade muscular do corpo.
A partir de 30 anos, a Sarcopenia produz perda de massa muscular.
A reparação celular é menos
eficiente, as articulações endurecem, a densidade óssea diminui e as alterações hormonais se
modificam. Os pilares da resiliência física são comprometidos , a nutrição e
o sono .
2. Pilares das proteínas e do treino de força - para combater
a sarcopenia, dar prioridade ao
treino de força com exercícios de resistência, pelo menos duas vezes por semana, que sinaliza ao corpo para manter os músculos e construí-los.
Igualmente importante
é consumir as proteínas necessárias ao longo do dia, para fornecer os blocos de
construção necessários. Uma orientação
geral é comer 1,2 a 2,0 gramas de proteína por quilograma de peso corporal.
Uma orientação geral é ingerir 1,2/ 2,0 g de
proteína por kg de peso corporal.
3. Durante o sono profundo, o corpo repara
tecidos, elimina resíduos metabólicos do cérebro e consolida memórias.
Priorizar 7 a 9 horas de sono de
qualidade é imprescindível para um envelhecimento saudável. Se tiver
problemas, consultar médico para descartar apneia do sono.
4. Pilar de proteção da mente
Uma mente ágil é essencial para a qualidade de vida. Este pilar
concentra-se na saúde cerebral e na função cognitiva. Poderão ocorrer lapsos de memória e processamento mais lento, à
medida que o corpo envelhece. É normal que algumas funções cognitivas, como a velocidade de processamento e a memória de
trabalho, diminuam gradualmente.
O cérebro pode demorar
mais tempo para aprender novas informações. Embora o declínio cognitivo grave
não seja uma parte normal do envelhecimento, o cérebro, como se fosse um músculo, precisa de exercícios para se
manter em forma. Para exercitá-lo é necessário adotar uma postura de
aprendizagem ao longo da vida e aceitar novos desafios cerebrais e o
envolvimento em atividades que desafiam o cérebro é fundamental. Aprender um novo idioma ou instrumento
musical, fazer um curso online, resolver quebra-cabeças ou ler livros complexos,
são boas opções. O exercício físico é benéfico pois melhora o
fluxo sanguíneo e faz crescer novos neurônios.
5. Pilar da proteção emocional
Este pilar engloba a saúde mental e
emocional, incluindo lidar com o stress,
regular as emoções e manter uma atitude positiva. Com o avançar da idade,
há maior vulnerabilidade ao stress e à solidão. As mudanças da vida, perdas e preocupações com a saúde, acumulam-se
e levam ao aumento do stress, ansiedade e solidão. A capacidade de recuperar
das adversidades ou de ter resiliência, pode ser posta em práticas com Meditação
e Atenção Plena ,que reprogramam o cérebro para gerir melhor o stress.
Manter um diário com
foco positivo, leva a vida para seus aspectos positivos. Se tratar com humor
baixo, procure apoio de um terapeuta.
6.
Pilar das Conexões Sociais
Os
seres humanos são sociais, e relacionamentos fortes são a base da longevidade. De modo geral, os idosos sentem que os seus círculos sociais são cada
vez menores e podem ter solidão. À medida que as pessoas envelhecem e se
aposentam, os filhos mudam-se, os amigos
mudam e as redes sociais diminuem . A solidão é um fator de risco
significativo para a saúde, que se associa a inflamação, declínio cognitivo e
doenças cardíacas. Cultivar e fazer novos bons relacionamentos minimiza o s efeitos
negativos da solidão. Manter amizades e criar novas, juntar-se a um clube,
fazer voluntariado, participar de aulas comunitárias ou usar a tecnologia para
manter a conexão com familiares distantes são estratégias que devem ser usadas.
O envolvimento social regular é tão
importante quanto uma dieta saudável.
7.
Pilar do propósito (encontrar ou
criar)
Este pilar refere-se à
motivação para sair da cama de manhã, a um sentido de significado e direção
para a vida. Muitas pessoas sentem certa perda de identidade depois de mudarem
suas vidas e para muitos, a carreira é a principal fonte de identidade e
propósito. Uma reforma, embora possa ser uma recompensa, pode levar a um vazio, se não for substituída por
atividades significativas. Usar o tempo extra para fazer voluntariado numa
causa, fazer passatempos e criar novos objetivos são boas opções.
Outras opções podem
ser: cultivar interesses fora do trabalho,
orientar outras pessoas ou iniciar um pequeno projeto, são ações que podem
proporcionar um sentido de contribuição e realização.
8.
Interação dos pilares entre si
O verdadeiro poder
desta abordagem é compreender os relacionamentos entre as funções dos pilares .
Por exemplo, se o pilar físico enfraquecer devido a uma artrite, a pessoa pode sair menos e enfraquecer o pilar social. Este
isolamento pode levar ao tédio ou à depressão, enfraquecendo os pilares
emocional e de propósito, o que, por sua vez, reduzem a motivação para fazer exercício ou para comer
mais.
Por isto, fortalecer um
pilar tem efeitos positivos em cadeia. Participar num grupo de caminhada, um
pilar social, fortalece o pilar físico, melhora o humor, o pilar emocional, e
pode proporcionar uma sensação de pertencimento, ou seja, um propósito.
Sugestões para manter os Pilares
A atividade física
ajuda a pessoa a manter-se saudável , a viver de forma mais independente e com
melhor qualidade de vida, à medida que envelhece. Existem alguns tipos de atividade física: exercícios
aeróbicos, exercícios de força e de equilíbrio. Combinar atividades físicas beneficia a saúde, faz a prevenção de doenças
crônicas e a reduz o risco de doenças cardíacas.
Fazer atividades físicas traz
benefícios à saúde
Tipos de atividade física a praticar :
9. Atividade aeróbica - Atividades aeróbicas para idosos incluem caminhada rápida, ciclismo,
dança e dança de salão. Fazer delas 2 horas e meia a 5 horas de atividade física
aeróbica de intensidade moderada por semana. As atividades aeróbicas de
intensidade moderada aumentam a respiração e a frequência cardíaca, e é
possível falar durante o exercício, mas não cantar.
10.Exercícios de força e equilíbrio
Exemplos de
exercícios que fortalecem os músculos e melhoram o equilíbrio incluem: tai chi,
qigong, exercícios com aparelhos de ginástica, halteres, faixas de resistência
e exercícios com o peso do corpo, como flexões na parede, agachamentos e
elevações. Fazer atividades físicas, exercícios de força, equilíbrio e
flexibilidade, no mínimo 3 dias por semana.
11. Atividades divertidas
Existem atividades
divertidas para as pessoas fazerem e se
manterem ativas, e estes são alguns
exemplos :
·
Lavar o carro,
·
Limpar o chão,
·
Jardinagem,
·
Carregar objetos,
·
Deslocamentos ativos domésticos,
·
Caminhada rápida para ir ao mercado ou ao supermercado,
·
Ir de bicicleta até à estação de metropolitano,
·
Usar as escadas em vez das escadas rolantes e elevadores nas estações de
metropolitano ou comboio
12. Benefícios do exercício
Os exercícios físicos
podem oferecer larga variedade de benefícios, no entanto, pode ser necessário
usar algumas estratégias para garantir que se faz bem feito os exercícios e eles
fazem bem ao corpo. Ao fazer uma variedade de exercícios, incluindo exercícios
de treino de força, pelo menos 3 dias por semana, os idosos podem mover-se
melhor, melhorar o equilíbrio, ganhar força e sentir-se mais animados ao
caminhar rapidamente à noite ou quando vão ao mercado. O exercício também reduz
a pressão arterial e ajuda a manter uma frequência cardíaca saudável.
Outras estratégias a serem utilizadas
1. Adicionar variedade à atividade
física
Fazer atividades
diferentes a cada dia ou a cada semana, é uma boa estratégia. Escolher atividades
alternativas de baixo impacto, como natação ou hidroginástica, se houver
dificuldades em fazer exercícios regulares. Se a pessoa teve de fazer uma pausa
na rotina regular de atividade física por um curto período devido a uma doença
ou condição de saúde, recomeçar num nível mais baixo e aumentar gradualmente
até ao nível habitual.
2. Escolher exercícios de acordo com a
capacidade pessoal
Os idosos devem consultar um médico antes de iniciar qualquer rotina de
exercícios e devem obter sua aprovação. Antes de iniciar qualquer rotina de
exercícios, verificar se o idoso está apto para fazer o exercício. Falar com o
médico antes de iniciar qualquer nova atividade física, para que seja mais
fácil se adaptar os exercícios à capacidade individual e evitar lesões. Convém
verificar previamente se têm alguma condição pré-existente. Se não tiver
certeza ou não se sentirem bem, é melhor consultar o médico. Também pode começar
e aumentar a intensidade quando se sentir mais confiante . Exercícios aeróbicos
e de fortalecimento são igualmente importantes, por isso é importante confirmar
com o médico o que se pode ou não fazer.
3. Exercícios na posição sentada.
Alguns
exercícios podem ser realizados sentado ou em pé. Se a pessoa tiver o joelho
direito ou esquerdo lesionado, tentar primeiro fazer os exercícios sentada. Os
exercícios sentados podem parecer simples, mas são muito eficazes quando se
trata de melhorar a força, o equilíbrio e a flexibilidade. Alguns benefícios dos exercícios incluem a
capacidade de carregar mais compras, ficar mais estável no autocarro ou comboio
e sentir-se com mais energia.
4. Os acessórios certos
Como alguns exercícios são
feitos sentados, vai ser necessária uma cadeira resistente e confortável. O idoso
deve sentar-se ereto e não se sentar na beira da cadeira. Não usar as cadeiras
giratórias de escritório ou bancos leves. A cadeira precisa ser pesada e ter
encosto. Quem estiver em cadeira de rodas deve travar as rodas. Além disso, ter
uma toalha pequena e certificar-se de que há espaço suficiente para os idosos
se movimentar com segurança.
5. Escolher o momento certo Os exercícios devem ser feitos quando não houver nada que distraia.
Depois de experimentarem o treino e se sentirem mais confiantes, os idosos
podem fazer os exercícios em qualquer lugar, a qualquer hora, mesmo enquanto
veem televisão.
6. Ver vídeos online
Caso as pessoas não saibam
quais os exercícios que devem fazer, podem verificar quais os mais indicados
através de vídeos específicos online. Podem ver o vídeo e seguir os exercícios
passo a passo ao mesmo tempo. Ou imprimir os exercícios para rever as
instruções e segui-las.
7. Fazer exercícios em conjunto
Para facilitar e ser mais
animado, os exercícios podem ser feitos em conjunto com amigos, familiares ou
outras pessoas conhecidas, que também podem verificar se os movimentos estão a
ser feitos de forma segura e correta. Desta forma também poderá ser mais fácil
retomar o início dos exercícios sempre que for necessário e aumentar o número
de repetições gradualmente, passando de 1 para 3 e depois para 5 repetições. Além
disso, se o ambiente for mais descontraído, mesmo as pessoas mais reservadas se
sentirão inclinadas a participar na diversão. Quaisquer dores ou momentos engraçados
ao fazer estes exercícios tornar-se-ão experiências partilhadas por todos. O
riso também ajuda a exercitar os músculos abdominais.
8. A consistência é fundamental
Se esquecer de fazer exercícios regularmente,
utilizar sistema de alerta ou pedir a
alguém que lembre. A consistência é extremamente importante para obter todos os
benefícios mais facilmente. Para ajudar a criar o hábito de fazer
exercício, poderá adicionar-se no final uma experiência agradável como uma
massagem relaxante nos ombros cada vez que se concluírem os exercícios. Ou uma
massagem nos pés, especialmente se houver dores nos pés por causa dos
exercícios.
9. Conclusão
O envelhecimento é
inevitável, mas a forma como o vivenciamos está longe de ser predeterminada. Geralmente
encara-se o envelhecimento como uma fase da vida com rugas e doenças. No
entanto, ver o envelhecimento como um processo apoiado por elementos
fundamentais, que são os pilares de uma melhor qualidade de vida, traz uma
perspectiva mais abrangente sobre esta fase de vida. Assim como um edifício
depende dos seus suportes estruturais, a saúde e vitalidade a longo prazo
dependem da força destas áreas centrais. Para ter um envelhecimento ativo e
saudável, é importante reforçar estes pilares com exercícios e uma perspectiva
em cuidar dos aspectos físico, cognitivo, emocional, social e criando um
propósito.
No fundo, uma visão mais abrangente do processo de envelhecimento,
encara esta fase com um plano prático para ajudar a proporcionar mais vida aos
anos cheios dela. Através de um plano de exercícios
físicos e mentais adequado a cada situação e à capacidade individual de cada
um, é possível ter uma vida de melhor qualidade , por muitos anos, com bem estar.
Mas ter longevidade com boa qualidade de vida está
longe de ser uma realidade para a população mundial como um todo. Um estudo recente da Mayo Clinic, publicado na JAMA Network Open, revelou
dado preocupante: as pessoas estão vivendo quase uma década a mais, porém enfrentando
sem resolver problemas crônicos, que alcançam a saúde. Daí a necessidade de
priorizar o bem-estar e resolver os problemas.
A
pesquisa foi realizada em 183 países
membros da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2000 e 2019. O resultado
aponta que a diferença entre longevidade e anos vividos com saúde aumentou 13%
no período, atingindo em média, 9,6 anos. Nos Estados
Unidos, o índice é de 12,4 anos de vida com as condições debilitantes acima. “Os
dados mostram que os ganhos em longevidade não acompanham os avanços
equivalentes a uma longevidade saudável, pois muitas vezes, envelhecer
significa ter mais anos de vida, porém sobrecarregados com doenças”, afirmou
Andre Terzic, diretor da Mayo Clinic. Segundo ele, envelhecer, em muitos casos,
significa viver mais anos, porém sobrecarregado
por doenças crônicas e limitações da saúde.
Ser longevo com qualidade de vida exige
mudanças.
O estudo
destacou as doenças não transmissíveis (DNTs) como as principais responsáveis
pela lacuna , entre elas as cardiovasculares, diabetes, câncer e transtornos
neurológicos. Esses problemas representam a “nova pandemia” e afetam países de
todos os níveis econômicos. Outro ponto relevante é que as mulheres vivem, em
média, 2,4 anos a mais do que os homens, porém enfrentam mais limitações que eles, sofrendo doenças
musculoesqueléticas, ou urinárias ou neurológicas. Para enfrentar o problema,
Terzic destaca que os fatores de risco modificáveis são a chave, como estilo de
vida, dieta adequada e prática regular
de exercícios, que ajudarão a reduzir a lacuna referida.
Estratégias novas para
um envelhecimento saudável
Os
especialistas recomendam a adoção de estratégias multidimensionais para
promover longevidade com qualidade de vida. A primeira é investir em campanhas de conscientização, focadas
em prevenção e mudança de hábitos desde cedo. A educação sobre saúde garante ganhos significativos ao longo dos
anos. O uso de tecnologias como
inteligência artificial ajuda a identificar doenças, permitindo intervenções
eficazes antes que elas se agravem.
A Medicina Regenerativa, é um campo médico
inovador, que visa restaurar, reparar ou
substituir células, tecidos e órgãos danificados do paciente, para retornar a
suas funções normais, atuando na causa do problema e não nos sintomas. Usa para isto as células
tronco e biomateriais (tecidos)para a auto-cura, com a terapia celular. Surge
como promessa para restaurar funções perdidas e melhorar a qualidade de vida. As
desigualdades regionais também são um obstáculo importante. Países com sistemas
de saúde fragilizados enfrentam maiores desafios no gerenciamento de doenças
crônicas. Segundo Terzic, indentificar os fatores específicos de cada região é
essencial para criar intervenções adequadas.
A OMS e a ONU intensificaram seus
esforços para combater a diferença entre
vida longa e vida saudável. A questão não é envelhecer¸ mas envelhecer com saúde, e
Programas como a “ Década do Envelhecimento Saudável buscam promover políticas públicas que
priorizem a qualidade de vida dos mais velhos”. Para Terzic, é preciso
transformar os sistemas de saúde, e a prevenção deve ser prioridade,
substituindo modelos centrados no tratamento de doenças. “A ONU declarou esta
década como a década da longevidade saudável”, ressaltou. Com a expectativa de
vida global em crescimento, priorizar a prevenção, a educação e o fortalecimento
dos sistemas de saúde, e transformar o ganho em anos vividos com bem estar.
Quando falamos em
longevidade, pensamos logo nos anos de vida vividos. Mas o verdadeiro desafio está em
viver de modo que algo de nós permaneça nos que ficam, constituindo nosso legado, material ou imaterial. Esse é o legado que fica na herança , nos bens
materiais, e nos bens não materiais, nas
memórias, nos valores, ensinamentos, ações, contribuições, e impacto causados nas gerações futuras através das nossas realizações,
direta ou indiretamente, servindo de
exemplos ou inspirações a outros. Nossas crenças, sabedoria, gentilezas e vínculos continuam após
nossa partida.
Nosso
legado é pessoal , a marca que deixamos nas pessoas que mais amamos e nos que
nos cercam. Refletir sobre o que desejamos fazer influencia nosso presente e gera bem-estar e saúde, que se propaga no
que legamos.
Homem meditando para legar muito.
A Longevidade é um instrumento para legarmos
Um Legado é uma
expressão de continuidade. É a forma de conversar
com o futuro, através dos filhos e netos, ou de um trabalho que publicamos, de uma
construção que realizamos, das histórias que contamos, de gestos marcantes que
praticamos.
Para Erik Eriksson, na metade do
século XX, o legado é um estágio natural do desenvolvimento humano, quando bem
vivido, pois traz ao envelhecimento um sentimento de realização, pois o legado influencia
comportamentos sociais.
Os participantes que foram convidados a
refletir sobre a marca que deixariam após a partida, demonstraram maior
tendência a agir de forma altruísta e a tomar decisões conscientes para o bem
coletivo. Em outras palavras, ao pensar no futuro, escolhemos viver melhor no
presente.
Mas
um legado pode estar em um valor
transmitido , no modo com que criamos e educamos os filhos; numa tradição
familiar que continua viva nas gerações seguintes; na generosidade que o filho
ou neto presenciou e testemunhou, ao tratarmos
outras pessoas; numa reserva financeira
que deixamos para o futuro de quem amamos; em gestos de cuidado, como histórias
que contam aqueles que fomos ao ensinar algo
interessante, sugerir uma música ou dar um conselho.
Um legado não precisa ser grandioso, e sim verdadeiro. Ao trazê-lo para
a prática, ele retroalimenta a longevidade. O que queremos deixar , deve aumentar o engajamento social, fortalecer
vínculos afetivos e trazer motivação diária – fatores que pesquisas relacionam
promoverem vidas longas e saudáveis.
O legado não é só o que ficará para depois, pois é uma fonte de vitalidade agora. O que você cultiva hoje, ajudará a atravessar os anos futuros, transformando a longevidade em vida plena e produtiva, para você e para os que lhe seguem .